Nem sempre é possível manter o
astral lá em cima. De vez em quando, somos abatidos por alguns momentos de
tristeza. E esse ano nada me desencantou mais do que o esporte.
Nada se compara à imensa
melancolia que experimentei depois daquele fatídico sete a um.
Lembrei-me da paixão que aprendi
a nutrir por aquela camisa amarela ainda aos seis anos. A mágica orquestra de
Telê jogava por sinfonia, e um desafino “azzurreal” pôs tudo a perder. Ainda assim,
deixou uma página bonita na nossa história.
No Mineirão, a atonia não se
limitou aos “jogadores”. Revelou também a extrema pobreza presente de uma
armada deitada em berço esplêndido nas glórias passadas.
Levei uns quinze dias pra me
recuperar totalmente de tamanha vergonha. E achei que nada poderia ser pior do
que aquilo.
Outras decepções se sucederam.
O basquete masculino fazia um
papel digno: chegou a me encher de orgulho quando bateu com autoridade na Argentina.
Jogou tudo pelo ralo numa pane elétrica contra a Sérvia. Era uma versão
ampliada do sete a um.
Nem mesmo o vôlei, minimamente
organizado por aqui, escapou de deixar lá a sua contribuição. O masculino
trouxe da Polônia um honrado vice-campeonato, mas o feminino, bicampeão
olímpico, ressuscitou os fantasmas de Atenas e do Japão. O inexperiente escrete
ianque comandado pelo espetacular Karch Kiraly impôs o respeito que um três a
zero merece.
Mas quem chora de fato é a alma
alvinegra. Porque a chama que a faz amar aos poucos se apaga.
No Campeonato Brasileiro, vive a
síndrome do Robin Hood: vence os grandes e sucumbe diante dos pequenos. Quando eu
pensei que a Copa do Brasil poderia ser um alento, vem o Mineirão e me impõe
outra tragédia.
O confortável dois a zero inicial poderia dar a tranquilidade necessária para um jogo de volta que
anunciava uma blitze do vingador em busca da virada. E logo de saída, Guerrero
balança a rede atleticana. Parecia que tudo caminharia bem. Confiava na
maturidade daquele onze para suportar a pressão que viria dali pra diante.
Mas o Galo valente virou o jogo
já no primeiro tempo. Desacreditei do pior. Prometi que, se acontecesse,
abandonaria o fanatismo e só voltaria no ano que vem.
O dia exaustivo e um princípio de
gripe me fizeram balear mais cedo do que o habitual. Não deu pra ver o
descerrar das cortinas. Mas confiava na classificação.
Calor, nariz cheio e garganta a
arrastar. Óbvio que não durmo direito. Corro à internet pra saber o que se
sucedeu. Tragédia!
Sinto a habitual trovoada dos
revoltados. Praguejo contra mano e seus “manos”,
Gobbi e sua incompetência e todos os “santos” envolvidos. Não reconheci mais
aquele gigante cuja história aprendi a amar. Parece-me desfocado ante tanta mesura.
Empolado entre palácios e copas, parecia navegar em águas diferenciadas. Mas tantos
torcedores desolados já identificam o fenecimento daquela alma guerreira. Evocando
Zé Geraldo, no palácio o operário não pode entrar. Logo ele, que escreveu todos
os capítulos essenciais dessa história.
Na sequência do mineirazzo, toda
a pose se perdeu. O Galo veio mais vingador do que nunca e contruiu a sua
antologia. Às custas de uma camisa que não soube sustentar a própria grandeza. Esperava,
ao menos, a maturidade de jogar pelo resultado. Sobrou do Mineirão a centelha
do vexame do oito de julho.
O coração alvinegro, tão surrado,
pede um tempo pra respirar. Por ora, cumpre a promessa e se recusa a sofrer. Como diz o outro, agora,
só amanhã.
Feliz Ano-Novo!
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