quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Essência paulistana

Paulo de Tarso; o disseminador do
Cristianismo dá nome e identidade a São Paulo
No dia em que te deixei, recolhi uma centelha pra querer-te em meu coração. Como o futuro exigisse, parti. Mas a alma queria ficar.

Cresci no lugar onde o rio se derrama. Rebouças, Teodoro, Fradique e Pedroso se tornaram conhecidos de longa data. Mas é Madalena que me dá saudade. A professora repleta de sabedoria e harmonia. Dizem que era filha do fazendeiro dono daquelas plagas. Suas irmãs, Ida e Beatriz, preferem a discrição. Deixam Madalena brilhar. E como brilha! Com alegria um dia me mostrou alegoria: anel de luzente Pérola Negra.

Santa Batucada! Sai da São João, segue Tiradentes afora e chega à casa de Otelo. A chuva castigou aquele carnaval. Os herdeiros de Pirapora não pipocaram. Nenê, vai-vai à luta; bota uma rosa de ouro na lapela daquela camisa verde e branco e trilha a tua mocidade alegre. Que Leandro e Miguel peruchearam e aclimação é primeira em sua arte barroca. E a passarela também se deixa pisar por gafanhoto e gavião. O trem saiu às onze horas; contente, fui embora amanhã de manhã.

E o samba deu na capa da Gazeta. Como não recordar a Paulista de todas as horas, onde a direção de minha vida se firmou? Onde tua arte pulsa mais forte: um paraíso de eterna bela vista, em que imagens de grafite invadem o palco e nos contracenam. E Augusta? Quanto fascínio! Dorme nos jardins e acorda nos arrabaldes rumo ao centro.

A “cidade” da cidade mereceria um capítulo especial. Dona Consolação nos deságua pra tomar um chá na casa de Ramos de Azevedo. Ali jaz orgulhoso um passado de luta: na linda Sé foram gestadas as Diretas Já; e no vale onde corre o rio de mau espírito, elas se consolidaram.

E por falar em história, ela se revela no tempo em que a cidade se rebela. Corria o Trinta e Dois quando os paulistas enfrentaram Vargas. Ainda que derrotada, não esquece a empreitada. Nove de Julho e Vinte e Três de Maio são fagulhas. Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, mártires, 

Do Marco Zero sigo saudoso para a gênese: no Collegio a história começou. Ali o propagador do
A cidade revela o tempo em que se rebela. Vinte e Três de Maio
é só um entre tantos marcos de trinta e dois. Enquanto isso,
o presidente Vargas nem aparece.
cristianismo marcou-se infinito na identidade de sua gente: Paulo! Paulista! Paulistano! A inquietude desse ser assusta os incautos irmãos de outras terras. É preciso fazer ir ao mundo como se o dia comportasse um mês. E sua percepção crítica, tão necessária, às vezes transborda: quero qualidade de vida!

Lá também se encravam lembranças. Minha mãe trabalhava onde a luz incide mais forte. De frente pro parque e de costas pra “zépa”. Naquele pedaço nasceu inesquecível amor. Sob lampião e bênçãos de Jorge, operários foram o destino de uma ideia que partiu da Grécia e passou por Bretanha. Corinto; Corinthian; Corinthians!

Ê Nação alvinegra de tanta antologia. Fez casa do Paulo Machado e lá escreveu tantos capítulos. Num deles, derrotamos o Flamengo de um já envelhecido Galinho. Precisávamos tirar uma diferença de dois a zero, e chegamos aos quatro a um necessários. Mas Leovegildo achou um contra-ataque e nos desclassificou no descerrar das cortinas.

A água derramada de pierê fez foz na terra dura de Butantã. Sob as asas de Corifeu moravam meus avós. Mara vestia-se de zelo: nunca faltava no momento de aperto. Dito era todo generosidade – de riso, doces e guaranás. A filha tornou a casa. Herdeira de Dito, mima a neta em paz - e é pela pequena que tanto volto. E da janela vejo a universidade, onde tantas vezes meu pai nos levou para brincar.

Mas o velho veio d'além Dutra. Vivo a terra encantadora em busca de novos referenciais. Ela vence a luta do rochedo com o mar e resplandece, apesar de tanto padecer. Jesus abraça a Guanabara e me apresenta a sua mãe, que me recebe de braços abertos. Agradeço e aprecio, meu queridíssimo Rio.

A essência, no entanto, será sempre paulistana. Quando te deixei, recolhi uma centelha pra plantar-te em mim. Nunca parti. A alma te ama eternamente.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Desculpa, Gregório

Breve vista do Centro de São Paulo. O coração da Terra
da Garoa pode sim ser belo
O signo da rivalidade ainda pontua as duas maiores metrópoles do Brasil. Já foi nada amistosa em algum momento e, no futebol, causa certa celeuma sobre quem tem maior torcida - mesmo que Flamengo e Corinthians, a priori, não sejam exatamente inimigos. Eu, corintiano loucamente apaixonado, não entro nessa dividida: reconheço que o Flamengo tem maioria, embora a diferença não seja assim tão acachapante. O embate Rio versus São Paulo chegou a ser tema do falecido "Programa Legal", de Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães. Mas hoje, a diferença é muito mais peça de curiosidade e humor do que de guerra.

Por ter pai carioca, me entendo com o Rio desde sempre. Virava e mexia, em tempos passados, eu me via zoado por falar diferente. Certa vez, um pessoal da Irmandade foi a São Paulo e, mui deselegantemente, cantou uma musiquinha infame, segundo a qual “praia de paulista é o Rio Tietê”. Soube certa vez de um primo da minha mãe que viu seu carro dar problema numa quebrada do Rio. Recebeu ajuda, mas um dos rapazes disse que “só ajudou porque a placa é de Brasília. Se fosse de São Paulo, não ajudaria”. Já vi também a zomba vir do lado bandeirante. Em doses bem mais modestas.

Tudo é página virada!

Duas das minhas irmãs de coração são cariocas. Luiza é botafoguense criada na Barra e, atualmente, desfruta de Vila Isabel. Vira e mexe, pergunto pra ela se eventuais pretendentes conterrâneas suas não vão me rejeitar por ser paulista. “Bobagem! Elas gostam”, me disse certa vez, numa dessas obrigatórias conversas virtuais – que sempre começam com um “Ooooi” bem longo. Rose é uma pequena notável, a fortaleza que resiste a tudo sem perder a mais incrível das ternuras. 

O destino me brindou com uma mudança para a tal Cidade Maravilhosa. Amigos paulistas, amantes do samba, chegam a me invejar. Nesse um ano que aqui estou, fico surpreso com rasgados elogios de cariocas a minha terra natal. As rodas do samba que pulsam aqui como em nenhum lugar no mundo, também tocam Adoniran. Quem vem de lá de passagem chega até a considerar o trânsito no Rio pior que o de São Paulo.

Nem tanto, nem tanto! Aqui, infelizmente, a Terra da Garoa ainda é imbatível.

Gregório Duvivier foi um desses encantados. Foi a São Paulo gravar um filme e alugou um apartamento no Copan. Fez críticas válidas ao atual estado do Rio de Janeiro. Como bom humorista, contudo, foi hiperbólico: carregou na tinta pra causar impacto e incomodar. Conseguiu!

Causou-me espécie, no entanto, a reação raivosa dos paulistanos aos elogios. Num texto posterior a esse, detectou um prazer mórbido dessa gente por odiar a própria cidade. E o pior é que, infelizmente, isso não é quimera. 

Num vinte e cinco de janeiro, fui ao Pateo do Collegio assistir a um programa especial da CBN apresentado por Fabíola Cidral sobre a São Paulo do futuro. E a do presente parecia terra arrasada, coitada, de tão bombardeada. Um ouvinte observou: “Vocês só falam mal”. Juca Kfouri, um dos convidados, respondeu: “Falamos mal porque queremos o bem. Se desejamos uma cidade melhor para o futuro, não podemos perder de vista o olhar crítico”.

Juca tem razão. Mas, via de regra, o paulistano passa do ponto. Chega às vezes às vias da boçalidade: enfronha-se tanto nos umbrais que não enxergam os paraísos que a cidade pode oferecer. Prefere estufar o peito pra dizer que “um dia ainda vou embora dessa merda. Quero qualidade de vida” – como se “qualidade de vida” se resumisse a respirar ar puro.

Nesse particular, o carioca se sai melhor. Apesar de todos os problemas, não perde o orgulho de ser pertencer a esse lindo balneário. Mesmo que esse deslumbre em altas doses também seja prejudicial, para ele o copo está sempre meio cheio.


Desculpa, Gregório. Pode elogiar à vontade. Eu agradeço e devolvo as lisonjas, já que no Rio encontrei uma vida nova. Saber de nossos pontos fortes também ajuda a nos tornar melhores.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A semideusa

Do alto da pírâmide, enxergo a morada desta divindade
Lá se vão seis anos da primeira vez. Eu te vi de costas; teu cabelo dourado escorria ondulado qual raio de sol. E no correr da madrugada, tentamos luzir o sono por uma causa maior.

Mas você me era distante, fechada no seio da família. Eu ainda era esporádico, morava do lado de lá da estrada. E assim eu te via em conta-gotas.

Até que vim pra cá e a dose mudou de intensidade. Encontrei-te na festa e ouvi alguém dizer: “E ela continua bonita”. Falava do que via de fora; mas, da fechadura da porta, vi um lampejo de tua terna alma. Percebi que és muito mais do que isso.

Na celebração de Nossa Senhora, achei graça duas vezes. Na primeira, você precisava preparar o Altar da Mãe e, por não saber, entrou. Uma colegiada mais vivida te chamou de volta. “Não faça isso, minha filha”.

A segunda veio depois de tua consagração em novo patamar. E lá estava eu a ditar as novas diretrizes. Ávida, você puxava o livro da minha mão. Queria saber logo. E eu me dividia entre a dúvida e o riso íntimo.

Eu te admiro desde aquela primeira vez. Mas tal flor não vem sem espinhos. No mundo virtual, eu mal te vejo. Minhas mensagens não encontram eco. E isso muito me entristece. No aniversário da Libertação, nos cumprimentamos de longe. Estava magoado contigo. Tinha te feito um convite, e havia me deparado com mais uma não-resposta.

Um evento especial virou o jogo. Éramos todos cores e som. Eu pude ver de novo aquela tua habitual simpatia. Estava mais à vontade por perceber que tanta distância que eu imaginava haver não era assim tão acentuada.

Na despedida, eu te encontrei. E nos abraçamos. Nada poderia ser mais sublime. Entorpeci. E não estava mais lá. Quando voltei a mim, quis repetir a dose. E de novo senti no coração o quão bela você é.

Sensação parecida tive na na quermesse. Eu te vi aos quarenta e seis do segundo tempo e você deixou a sua morada para vir conversar comigo. Parecíamos fechados num dirigível que rodeava as estrelas. O voo durou o tempo exato para me sentir novamente acolhido.

Foi o último encontro. Vez por outra, me pego em estado periódico de saudade. Sei que a tua fortaleza é quase intransponível. Mas, nos raros momentos em que ela se abre, o mundo respira uma rara felicidade.

Seja qual for o sabor do vento, não desisto de buscar o teu horizonte. Levarei pra sempre no coração esse carinho que você me incutiu

Te adoro

sábado, 6 de setembro de 2014

Duro amadurecimento

Tenho com esse tal de perdão uma relação não muito estável. Aprendi que ele está presente em cada centímetro de nossas passadas. Não houvesse ele, tudo seria solidão.

Há quem o encare, no entanto, como a obrigação dos evoluídos. Rancor é para os “fracos”. Calma lá! É preciso enxergar a vida com mais suavidade.

Emoções como tristeza, mágoa, revolta, e até a sede de vingança, são inerentes ao ser humano. A meu modestíssimo ver, a evolução contempla a vivência de tais sentimentos para saber lidar com eles. O que não pode é esmorecer na luta para ao menos controlá-los.

Além do mais, nem toda decepção é fácil de digerir. Algumas marcas são indeléveis. Uma história minha revela isso.

Um grupo de colegas de trabalho errou feio comigo. Não mais do que de repente, uma das moças da turma resolveu pegar birra de mim. Mandava indiretas, olhava com sarcasmo, tratava mal.

Na época dos Jogos Olímpicos de Londres, quis assistir a uma prova de natação. Era a final olímpica dos 50 metros estilo livre, que Cesar Cielo disputaria. Ela e um amigo já estavam por lá quando cheguei. Os dois riram escancaradamente da minha cara. Já tinham escarnecido de mim em outra oportunidade, por outro motivo qualquer.

A convivência com ela não era nada tranquila. 

Descobrimos que uma revista de turismo traria pares de convites para visitar um parque de diversões, o Hopi Hari. O grupo combinou comprar vários exemplares para acertar uma data e ir em todo o mundo junto. Eu também adquiri o meu. Participava das conversas que combinariam o passeio. E constantemente perguntava se havia definição do grupo sobre a data.

Daí surgiu uma das maiores maldades que já se fez comigo na vida!

Certa segunda-feira, uma outra colega, que nunca era lá muito dada a discrições, disse em bom som do passeio ao Hopi Hari feito no sábado, que era o último dia da promoção. Fui vergonhosamente deixado de fora.

Tive de deixar os afazeres um pouco de lado para tentar respirar. O aperto no coração foi colossal. Voltei em silêncio e decidi cortar relações com eles. Não os acompanhei no café da manhã e por pouco não me isolei em definitivo. Um dos amigos tentou contemporizar: “Decidimos na última hora e eu perdi o número do seu telefone”. Aceitei, e voltei atrás.

O rapaz fora diplomático, mas não falara a verdade. Descobri algum tempo depois que minha exclusão foi proposital, porque a tal moça se aborreceria com a minha presença. O desejo dela foi atendido sem muita resistência.

Com o tempo, vieram novas desculpas. Um dos carros já estava cheio e, no outro, estavam as duas moças da turma. Onde eu não era benvindo. Nada que não pudesse ser contornado, se eu fosse incluído.

Também foi considerado o fato de eu estar no setor havia pouco tempo. “A gente ainda não te conhecia.” Ora, mas os amigos, namorados e namoradas que foram eram ainda menos conhecidos do que eu. Não cola!

Algum tempo depois, a tal moça, já fora da empresa, comemoraria o aniversário com os amigos. Disse que eu “podia ir”. Não, obrigado. Minha dignidade não tem preço!

Do episódio, a turma ainda encontrou motivo para rir: “Veja pelo lado bom. Você ficou mais antenado com as coisas do turismo”. No fim do ano, já morando no Rio, fui a São Paulo para uma confraternização de Natal. Aceitei sua presença, pra não perder a oportunidade de rever a turma. Quando ela chegou, a amiga "não-discreta" disse em bom-som que não havia motivo para a animosidade continuar. Afinal, o episódio "já tinha passado". 

Ainda que do fato se tenha passado algum tempo, me custa curar a ferida. Sei que guardar mágoa não é nada saudável. Mas este texto busca espantar a bruxa e retomar a minha própria verdade. Fui covarde comigo mesmo: pra não perder as amizades, forjei uma falsa resiliência e aceitei as desculpas.

Mas, não! Não passou, não! Pra quem "apanha" os acontecimentos sempre demoram mais a passar do que pra quem "bate". A postura mesquinha e mau-caráter da moça é inaceitável sob qualquer circunstância. Aumenta o incômodo o fato de ninguém ter brigado pela minha presença; de não haver o reconhecimento da mancada; de não haver pedido de desculpas. Eu ainda busco um porquê pra tudo isso.

(Justiça seja feita: dois dos então integrantes do grupo defenderam que eu fosse chamado. Mas, de fato, preferiram não bater de frente.)

Chegou a hora de praticar essa dificílima e necessária arte de perdoar. Mesmo dessa desventura hei de encontrar lições. Mesmo na decepção colhi amigos. Quase todos ainda me são queridos. 

Ainda assim, o perdão não nos obriga a ser bonzinhos com os algozes. Deixo a referida moça seguir seu rumo e desejo felicidade. Mas ela nunca será pra mim uma amiga. Certas coisas são, isso sim, irreconciliáveis.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Louco do bando

Sou um louco deste bando ensandecidamente apaixonado
Ainda me lembro do primeiro contato contigo. Era uma versão menor daquela linda camisa preta listrada. Dada pelo Licinho, meu padrinho. Eu mal sabia falar o seu nome ainda, de tão difícil que me parecia.

Na verdade, você já me havia tocado. Porque o destino escolhera a dedo o dia em que eu nasci: a maior de todas as lendas contava que tu ousavas dividir o Maracanã com os devotos da máquina tricolor. Licinho estava lá. Voltou repleto de poeira e choro. Preocuparam-se todos. O que aconteceu? “A gente se classificou”. Houve quem se aborrecesse. Quanta bobagem! Chorar por futebol? Tá louco? Só quem é entende!

Confesso que o encanto levou tempo pra fazer efeito. Mas, quando tomou conta, não havia mais volta. Aquele fatídico 87 sacramentou a tua escolha por mim. Que sufoco! Éramos os piores do Paulista. Mas, num trabalho de Formiga, fomos nos reerguendo.

É como diz uma certa máxima: se deixar o gigante chegar, sai de baixo. Na semifinal, levantou poeira sobre os santistas num contundente 5 a 1. Pra sacramentar uma improvável final contra o São Paulo.

No dia do jogo final, eu estava em rápida viagem; no carro, muitos familiares. Lá por umas tantas, alguém resolveu perguntar pra quem cada um iria torcer. Marcia, minha mãe, Sonia, a madrinha, e Bruno, meu irmão, eram tricolores de carteirinha. O palmeirense Tadeu, motorista do carro, também torceria pelo São Paulo. Estavam quase todos contra mim. Eu só escapei da solidão porque meu pai, neutro, escolheu o Corinthians. Era a tradução do insuportável “contra tudo e contra todos”.

Do lado de lá do rádio, a história era contada por José Silvério. Os tricolores venceram o primeiro jogo por 2 a 1, e tinham a vantagem do empate. Na prorrogação, o Mauro chegou a carimbar o travessão. Não teve jeito: eles levaram a melhor e eu chorei – infelizes, meus pais se aborreceram. Quanta bobagem. Não sabe perder? Pelo amor de Deus. Só quem é entende!

No ano seguinte, nova final. Muitos reclamaram daquele gol impedido do Biro-Biro contra o São Paulo. E não é que o Palmeiras resolveu dar uma mãozinha? Venceu os tricolores e nos classificou. Do lado de lá, o excelente time do Guarani despachava o São José. E, com Neto e Evair, respiravam boa dose de favoritismo.

Estávamos na casa do são-paulino Edson Luis. “Hoje vou ver o Corinthians perder”. Já começava a me acostumar com tamanha animosidade. Era todo o mundo vestido com o manto verde do Bugre. Pra piorar, o Neto tinha engatado uma bicicleta no jogo do Morumbi. Empatamos depois, mas tínhamos uma missão bastante complicada: vencer, fora de casa, um time considerado melhor.

Dificuldade; tensão; igualdade; prorrogação. Sucumbiríamos mais uma vez? Até que Wilson Mano arrisca da entrada da área. Sergio Néri tenta tirar com os olhos. Luis Alfredo exulta: Gol do garoto Viola. O jovem centroavante corrigira a trajetória e selara a vitória. E eu deixei fluir uma emoção que nem mesmo sabia de onde chegara. Até quem é às vezes não entende.

Era só a primeira de tantas, que valem novas histórias. Eu e meus quase quarenta estou contido de leve nos teus cento e quatro. E muito feliz por isso, agradeço pela escolha.

Obrigado, Corinthians!

PS: Licinho e Edson Luis já não estão mais entre nós. Mas vivem. Tenho certeza disso! Fiquem com Deus.