sexta-feira, 24 de abril de 2015

Arruda, majestade e generosidade

O ótimo Arruda comandou o auê. Ê, vida boa...
(crédito da foto: www.ingresso.com)
Voltei ao Méier depois de uma semana. O "adeus" anterior não dizia respeito ao bairro em si, mas a outra situação.

Fui prestigiar a roda de samba do Grupo Arruda. Foi o meu amigo Marcelo Faria, fanático torcedor da Beija-Flor e um dos artífices do ótimo site Sambrasil, que me chamou pro batuque. 

A roda reinava sublime no palco do Imperator. A trupe que comandava a festa surgiu em 2005 próximo à banca da Tia Zezé, próximo ao viaduto da Mangueira. Na base da raça, os cinco amigos de Vila Isabel driblavam a fragilidade da estrutura e os constantes "paus" do equipamento de som. Precisava espantar a "zica" com galhos de arruda, e a erva virou identidade. O João Nogueira foi só mais um ponto de parada dessa trajetória. 

Às oito e meia em ponto, começava o auê. Não poderia deixar de sorrir nas simpáticas referências a Vanzolini a Adoniran, os ícones da minha terra. Seus clássicos cantavam coisas que já vivi e ainda vejo. Já me vi em vias de "perder o trem" e tirar o sossego da minha mãe, que, de fato, "não dorme enquanto eu não chegar". Também estou num momento de "reconhecer a queda, levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima".

E eles receberiam altas patentes do samba. Não pude ver Jorgynho China, porque não poderia ficar até além das onze. A volta me preocupava. Mas tive a honra de reverenciar mestre Monarco de Portela. É impressionante como o homem consegue ao mesmo tempo exalar majestade e simplicidade. Cheio de simpatia, o menino brincou com o avançar dos anos. O mestre reconheceu que a voz estava claudicante. Mas ainda assim, deu um caldo pra lá de delicioso. Carregava o seu Hildemar Diniz não só a sua gloriosa história de mais de oito décadas, mas a poeira divinal da águia de Madureira. Assim, tudo valeu a pena.

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Generosidade carioca

No intervalo, precisei puxar o bonde. A vinda tinha sido meio acidentada, num ônibus em que as pessoas se abaixavam com medo de alguns espocares, que pareciam tiros. Já escaldado por um  já longínquo encontro com um o terror, achei melhor me precaver e sair antes.

Tomei um ônibus que margearia a Tijuca e desembocaria no Novo Rio. Decidi não descer na Praça Saens Peña e seguir. Foi um erro! Acabei descendo na Leopoldina.

Cruzei a passarela e vi o Cosme Velho passar. Corri e não alcancei. Aí, pareceu que o céu conspirou a favor. O motorista do ônibus de trás parou e disse:

"Vem, que a gente alcança ele e você pega lá na frente"

Hesitei, mas aceitei a carona. No começo da Presidente Vargas, o bom homem parou na frente dele e eu pude chegar sossegado.

Roda de samba secular e jeitinho do bem. Existem coisas que só o Rio faz por você.

domingo, 19 de abril de 2015

Adeus, Méier

Pois é, Charlie. A vida é assim. Mas sigamos, porque
ainda tem muita coisa boa pra gente viver
Naquela corredeira de gente, eu te consegui divisar. Era, mesmo, muito melhor do que a foto que havia visto. Conversamos e parecia haver muita afinidade. Ficamos, e foi bom demais.

E aí, alguma trajetória se construiu. Tudo caminhava devagar, e eu temia não ter conseguido te fisgar totalmente. Por um lado achei bom, porque não havia a pressão de um relacionamento cheio de cobranças e carências. 

Fomos ao cinema e enfrentamos a longa escadaria do Botafogo Praia; aproveitei saber que tu nasceste em Madureira, dividida entre o azul e o verde, para te levar a conhecer a vida de Paulo da Portela. E aí, você me apresentou ao João Nogueira, centro cultural onde nos esbaldamos na maestria de Nilze Carvalho.

Ali, achei que nos estreitávamos. Tiramos até fotos. Os anjos do céu chegaram a me dizer que tínhamos boas possibilidades de viver uma linda história. Parecia que um passo havia sido dado.

Foi apenas um sopro. No sábado seguinte, você me liga e dá à história um ponto final. Disse não estar preparada pra um novo relacionamento e que não estávamos em sintonia. E, enfim, "não rolou". Não houve sequer um pedido de desculpas.

E o sonho que eu começava a construir desmoronou de pronto. Por mais que acredite numa relação que floresce aos poucos, eu me envolvi. Não tive como frear as esperanças. Era a primeira vez que vivia um momento tão bacana, e estava muito feliz.

Depois de tudo, meu olhar sobre a história teve de buscar outro prisma. Nossos papos virtuais não fluíam, porque você às vezes levava um céu inteiro para responder às minhas mensagens. Pior: muitas vezes escrevia meu nome errado. No dia de Paulo, reclamaste que eu te "apertava muito"; no do cinema, seu ônibus chegou e você saiu correndo atrás dele, como se quisesse ficar livre de mim. Em outros momentos, ficava de braços cruzados. Também recusaste a me ver numa sexta, porque "estava muito cansada" da viagem que fizeste, e não quiseste ir a um show das 20h porque sairia do serviço às 16h, e isso é "muito tempo pra ficar esperando". Por outro lado, quando fomos ao cinema você esperou. Que estranho!

Não posso obrigar ninguém a corresponder aos meus sentimentos. Se cometi algum deslize, é óbvio que não foi por mal.

Tudo bem! Se não aconteceu, o jeito é respeitar tua vontade e me abrir mais tarde para uma nova história, com uma outra pessoa - que REALMENTE goste de mim. Por outro lado, não tenho a obrigação de sair desta sem mágoa. O final dessa história me causou, sim, profunda decepção, e tenho o direito de sentí-la.

Adeus, Méier; seja feliz e fique com Deus. Mas a tua filha adotiva eu não quero ver mais.