sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Quando é preciso reconhecer o mau passo

Às vezes, no afã de jogar fora tantas más experiências, dá-se um passo em falso.

No caso do texto anterior, um trecho (já devidamente excluído) se configurou uma imensa bola fora. Magoei pessoas queridas e seus históricos de vida. E posso ter feito isso com mais gente.

Nunca é demais relembrar: o novo pensamento sobre um segmento do caminhar não pode jamais atrapalhar a mais importante das lutas, que é a de nos tornarmos cada vez mais conectados com a sabedoria superior.

Beleza é um conceito fluido, subjetivo. Ter preferência por alguma embalagem faz parte do jogo, mas é o conjunto com a essência que a torna salutar. E tal paradigma não fica parado no tempo.

No novo pensamento, erros não devem ser remoídos, mas encarados como parte do aprendizado. Neste caso, foi gigantesco! E merece uma retratação à altura.

Peço perdão, gente. Não vai se repetir!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Hoje resolvi mudar!

Façam a revolução, para que nunca mais a vida seja a mesma;
e a história, diferente daqui pra frente (foto: infoescola)
Ouvi por aí e é verdade... não se pode querer colher diferente plantando igual. Eu estou experimentando um novo jeito de agir e pensar. 

Chega de sufocar meu verdadeiro eu por medo de desagradar; estou por aqui de racionalizar atitudes. Não vou mais esconder minhas posições em um véu de moderação só pra não magoar os amigos. Quem gosta de mim de verdade continuará comigo independente de qualquer coisa. Afinal, nenhum ser humano pensa exatamente igual a outro.

E o mais importante de tudo: chega de me preocupar com o que os outros vão pensar. Esse LIXO envenenou toda a minha vida.

Nossos pais são os nossos maiores exemplos. E os amamos tanto que tememos decepcioná-los. Às vezes, em nome disso, eles cometem atrocidades que podem destruir nossa autoestima e até a nossa vida.

Não, o amor não acabou. Mas filho a gente cria para o mundo, e deve tomar as suas próprias decisões. Não, Belchior: não vivemos como nossos pais; baseamos neles o nosso molde. Só que um dia o caminho torna-se meu. Deixa eu caminhar, deixa eu.

Estou farto do politicamente correto. É balela esse negócio de que "beleza não é tudo". Atração física é, sim, importante numa relação amorosa. E eu quero E MEREÇO uma mulher bonita.

Estão definitivamente fora da curva amigos da onça que te põem pra baixo, vomitam verdades absolutas, especulam sobre sua vida íntima e troçam dos seus sentimentos. Que  não acham nada de mais te excluir de um passeio por mesquinharia de uma imbecil que inventou raiva de você. Ou escarnecem de ti até quando você espirra! Gente que te faz mal não merece tua proximidade.

Não vai ser nada fácil: são quase quarenta anos de disco rígido a liberar. É um exercício constante que deve ser incutido aos poucos. Mas creio sair melhor deste processo.

Ah, e isso não significa que vou me tornar um escroto, ok? A correção não inclui desistir de ser uma pessoa melhor.

Lá vamos nós.

PS: Aos verdadeiros amigos que continuarão comigo nessa. Se eu fraquejar no caminho, podem puxar a orelha, tá? Muito obrigado!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Arruda, majestade e generosidade

O ótimo Arruda comandou o auê. Ê, vida boa...
(crédito da foto: www.ingresso.com)
Voltei ao Méier depois de uma semana. O "adeus" anterior não dizia respeito ao bairro em si, mas a outra situação.

Fui prestigiar a roda de samba do Grupo Arruda. Foi o meu amigo Marcelo Faria, fanático torcedor da Beija-Flor e um dos artífices do ótimo site Sambrasil, que me chamou pro batuque. 

A roda reinava sublime no palco do Imperator. A trupe que comandava a festa surgiu em 2005 próximo à banca da Tia Zezé, próximo ao viaduto da Mangueira. Na base da raça, os cinco amigos de Vila Isabel driblavam a fragilidade da estrutura e os constantes "paus" do equipamento de som. Precisava espantar a "zica" com galhos de arruda, e a erva virou identidade. O João Nogueira foi só mais um ponto de parada dessa trajetória. 

Às oito e meia em ponto, começava o auê. Não poderia deixar de sorrir nas simpáticas referências a Vanzolini a Adoniran, os ícones da minha terra. Seus clássicos cantavam coisas que já vivi e ainda vejo. Já me vi em vias de "perder o trem" e tirar o sossego da minha mãe, que, de fato, "não dorme enquanto eu não chegar". Também estou num momento de "reconhecer a queda, levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima".

E eles receberiam altas patentes do samba. Não pude ver Jorgynho China, porque não poderia ficar até além das onze. A volta me preocupava. Mas tive a honra de reverenciar mestre Monarco de Portela. É impressionante como o homem consegue ao mesmo tempo exalar majestade e simplicidade. Cheio de simpatia, o menino brincou com o avançar dos anos. O mestre reconheceu que a voz estava claudicante. Mas ainda assim, deu um caldo pra lá de delicioso. Carregava o seu Hildemar Diniz não só a sua gloriosa história de mais de oito décadas, mas a poeira divinal da águia de Madureira. Assim, tudo valeu a pena.

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Generosidade carioca

No intervalo, precisei puxar o bonde. A vinda tinha sido meio acidentada, num ônibus em que as pessoas se abaixavam com medo de alguns espocares, que pareciam tiros. Já escaldado por um  já longínquo encontro com um o terror, achei melhor me precaver e sair antes.

Tomei um ônibus que margearia a Tijuca e desembocaria no Novo Rio. Decidi não descer na Praça Saens Peña e seguir. Foi um erro! Acabei descendo na Leopoldina.

Cruzei a passarela e vi o Cosme Velho passar. Corri e não alcancei. Aí, pareceu que o céu conspirou a favor. O motorista do ônibus de trás parou e disse:

"Vem, que a gente alcança ele e você pega lá na frente"

Hesitei, mas aceitei a carona. No começo da Presidente Vargas, o bom homem parou na frente dele e eu pude chegar sossegado.

Roda de samba secular e jeitinho do bem. Existem coisas que só o Rio faz por você.

domingo, 19 de abril de 2015

Adeus, Méier

Pois é, Charlie. A vida é assim. Mas sigamos, porque
ainda tem muita coisa boa pra gente viver
Naquela corredeira de gente, eu te consegui divisar. Era, mesmo, muito melhor do que a foto que havia visto. Conversamos e parecia haver muita afinidade. Ficamos, e foi bom demais.

E aí, alguma trajetória se construiu. Tudo caminhava devagar, e eu temia não ter conseguido te fisgar totalmente. Por um lado achei bom, porque não havia a pressão de um relacionamento cheio de cobranças e carências. 

Fomos ao cinema e enfrentamos a longa escadaria do Botafogo Praia; aproveitei saber que tu nasceste em Madureira, dividida entre o azul e o verde, para te levar a conhecer a vida de Paulo da Portela. E aí, você me apresentou ao João Nogueira, centro cultural onde nos esbaldamos na maestria de Nilze Carvalho.

Ali, achei que nos estreitávamos. Tiramos até fotos. Os anjos do céu chegaram a me dizer que tínhamos boas possibilidades de viver uma linda história. Parecia que um passo havia sido dado.

Foi apenas um sopro. No sábado seguinte, você me liga e dá à história um ponto final. Disse não estar preparada pra um novo relacionamento e que não estávamos em sintonia. E, enfim, "não rolou". Não houve sequer um pedido de desculpas.

E o sonho que eu começava a construir desmoronou de pronto. Por mais que acredite numa relação que floresce aos poucos, eu me envolvi. Não tive como frear as esperanças. Era a primeira vez que vivia um momento tão bacana, e estava muito feliz.

Depois de tudo, meu olhar sobre a história teve de buscar outro prisma. Nossos papos virtuais não fluíam, porque você às vezes levava um céu inteiro para responder às minhas mensagens. Pior: muitas vezes escrevia meu nome errado. No dia de Paulo, reclamaste que eu te "apertava muito"; no do cinema, seu ônibus chegou e você saiu correndo atrás dele, como se quisesse ficar livre de mim. Em outros momentos, ficava de braços cruzados. Também recusaste a me ver numa sexta, porque "estava muito cansada" da viagem que fizeste, e não quiseste ir a um show das 20h porque sairia do serviço às 16h, e isso é "muito tempo pra ficar esperando". Por outro lado, quando fomos ao cinema você esperou. Que estranho!

Não posso obrigar ninguém a corresponder aos meus sentimentos. Se cometi algum deslize, é óbvio que não foi por mal.

Tudo bem! Se não aconteceu, o jeito é respeitar tua vontade e me abrir mais tarde para uma nova história, com uma outra pessoa - que REALMENTE goste de mim. Por outro lado, não tenho a obrigação de sair desta sem mágoa. O final dessa história me causou, sim, profunda decepção, e tenho o direito de sentí-la.

Adeus, Méier; seja feliz e fique com Deus. Mas a tua filha adotiva eu não quero ver mais.