segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A palhaça do Shopping Light

Como já disse certa vez, vim à vida para não exacerbar o bom humor. Por natureza, me porto com seriedade e não aprovo alguns arroubos.

Dia desses estou no Shopping Light, aquele da Praça Ramos de Azevedo, em vias de pagar uma conta telefônica. Passo na loja e imprimo uma nova via da fatura. O atendente me recomenda pagá-la na agência lotérica do andar de baixo.

Enfrento a fila e me deparo com uma situação peculiar. A caixa, cuja voz se ouve a certa distância, faz graça:

- Obrigado por esse lindo papel que vou ter de digitar - era decantada ironia. Não deu pra saber se no tom de brincadeira havia uma rusga de escárnio. Não havia laser, então deveria inserir à mão o código de barra. E que culpa eu tinha nisso?

Esperei até que ela concluísse a operação. Falou um valor diferente, e eu, querendo responder à suposta simpatia, peço pra ela não me assustar. Completo a minha parte no acordo. 

- O senhor não tem saldo suficiente.

Levo um susto e entro em momento de pânico. Era começo de mês e estava tudo em ordem. Será que minha conta foi clonada? Ou houve alguma despesa a mais que eu por ventura não tivesse me lembrado?

Nada! A moça fez troça de mim. Disse que estava "tudo certo". Saí de lá sem sorrir.

É óbvio que não gostei. Foi deselegante e de extremo mau gosto. Principalmente porque não me conhecia e, portanto, não tinha liberdade para tal. 

A palhaça fez tudo errado. Antes de brincar, poderia ter dado um tudo bem. Poderia me deixar mais leve. Ainda assim, fiz um esforço pra permanecer agradável. Mas o indecente trote do saldo na conta ultrapassou todos os limites do aceitável. Deixei a loja bastante contrariado.

Não sou nenhum ranzinza, mas não gosto de gracinhas desse tipo. Existe uma linha tênue entre a brincadeira sadia e o sarcasmo desnecessário.



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