quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A semideusa

Do alto da pírâmide, enxergo a morada desta divindade
Lá se vão seis anos da primeira vez. Eu te vi de costas; teu cabelo dourado escorria ondulado qual raio de sol. E no correr da madrugada, tentamos luzir o sono por uma causa maior.

Mas você me era distante, fechada no seio da família. Eu ainda era esporádico, morava do lado de lá da estrada. E assim eu te via em conta-gotas.

Até que vim pra cá e a dose mudou de intensidade. Encontrei-te na festa e ouvi alguém dizer: “E ela continua bonita”. Falava do que via de fora; mas, da fechadura da porta, vi um lampejo de tua terna alma. Percebi que és muito mais do que isso.

Na celebração de Nossa Senhora, achei graça duas vezes. Na primeira, você precisava preparar o Altar da Mãe e, por não saber, entrou. Uma colegiada mais vivida te chamou de volta. “Não faça isso, minha filha”.

A segunda veio depois de tua consagração em novo patamar. E lá estava eu a ditar as novas diretrizes. Ávida, você puxava o livro da minha mão. Queria saber logo. E eu me dividia entre a dúvida e o riso íntimo.

Eu te admiro desde aquela primeira vez. Mas tal flor não vem sem espinhos. No mundo virtual, eu mal te vejo. Minhas mensagens não encontram eco. E isso muito me entristece. No aniversário da Libertação, nos cumprimentamos de longe. Estava magoado contigo. Tinha te feito um convite, e havia me deparado com mais uma não-resposta.

Um evento especial virou o jogo. Éramos todos cores e som. Eu pude ver de novo aquela tua habitual simpatia. Estava mais à vontade por perceber que tanta distância que eu imaginava haver não era assim tão acentuada.

Na despedida, eu te encontrei. E nos abraçamos. Nada poderia ser mais sublime. Entorpeci. E não estava mais lá. Quando voltei a mim, quis repetir a dose. E de novo senti no coração o quão bela você é.

Sensação parecida tive na na quermesse. Eu te vi aos quarenta e seis do segundo tempo e você deixou a sua morada para vir conversar comigo. Parecíamos fechados num dirigível que rodeava as estrelas. O voo durou o tempo exato para me sentir novamente acolhido.

Foi o último encontro. Vez por outra, me pego em estado periódico de saudade. Sei que a tua fortaleza é quase intransponível. Mas, nos raros momentos em que ela se abre, o mundo respira uma rara felicidade.

Seja qual for o sabor do vento, não desisto de buscar o teu horizonte. Levarei pra sempre no coração esse carinho que você me incutiu

Te adoro

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