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| Do alto da pírâmide, enxergo a morada desta divindade |
Lá se vão seis
anos da primeira vez. Eu te vi de costas; teu cabelo dourado escorria
ondulado qual raio de sol. E no correr da madrugada, tentamos luzir o
sono por uma causa maior.
Mas você me era
distante, fechada no seio da família. Eu ainda era esporádico,
morava do lado de lá da estrada. E assim eu te via em conta-gotas.
Até que vim pra cá
e a dose mudou de intensidade. Encontrei-te na festa e ouvi alguém
dizer: “E ela continua bonita”. Falava do que via de fora; mas,
da fechadura da porta, vi um lampejo de tua terna alma. Percebi que
és muito mais do que isso.
Na celebração de
Nossa Senhora, achei graça duas vezes. Na primeira, você precisava
preparar o Altar da Mãe e, por não saber, entrou. Uma colegiada
mais vivida te chamou de volta. “Não faça isso, minha filha”.
A segunda veio
depois de tua consagração em novo patamar. E lá estava eu a ditar
as novas diretrizes. Ávida, você puxava o livro da minha mão.
Queria saber logo. E eu me dividia entre a dúvida e o riso íntimo.
Eu te admiro desde
aquela primeira vez. Mas tal flor não vem sem espinhos. No mundo
virtual, eu mal te vejo. Minhas mensagens não encontram eco. E isso
muito me entristece. No aniversário da Libertação, nos
cumprimentamos de longe. Estava magoado contigo. Tinha te feito um
convite, e havia me deparado com mais uma não-resposta.
Um evento especial
virou o jogo. Éramos todos cores e som. Eu pude ver de novo aquela
tua habitual simpatia. Estava mais à vontade por perceber que tanta
distância que eu imaginava haver não era assim tão acentuada.
Na despedida, eu te
encontrei. E nos abraçamos. Nada poderia ser mais sublime.
Entorpeci. E não estava mais lá. Quando voltei a mim, quis repetir
a dose. E de novo senti no coração o quão bela você é.
Sensação parecida
tive na na quermesse. Eu te vi aos quarenta e seis do segundo tempo e
você deixou a sua morada para vir conversar comigo. Parecíamos
fechados num dirigível que rodeava as estrelas. O voo durou o tempo
exato para me sentir novamente acolhido.
Foi o último encontro.
Vez por outra, me pego em estado periódico de saudade. Sei que a tua
fortaleza é quase intransponível. Mas, nos raros momentos em que
ela se abre, o mundo respira uma rara felicidade.
Seja qual for o
sabor do vento, não desisto de buscar o teu horizonte. Levarei pra
sempre no coração esse carinho que você me incutiu
Te adoro

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