domingo, 24 de agosto de 2014

Não sou "xarope"

De férias em São Paulo, fui almoçar com a "Vagabanda", um grupo de ex-colegas de labuta. Como fosse quarta, acreditei que iríamos de feijoada no restaurante da Dorinha, a moça bonita do caixa. Eles preferiram mudar de rumo, e eu acatei.

Após as despedidas, fui dar um alô pra moça. Bati um papo rápido e comprei dois beijinhos. Dei um pra ela, que corou. Beijei-lhe a mão e fui embora. 

Dorinha é vênus de tão linda. E não, não sou santo: já a desejei, sim. Naquele gesto em especial, no entanto,  não havia nenhum sentido de conquista. Quando ela te chama de "amiguinho" e as religiões não batem (ela é evangélica da Igreja Universal e eu, sacerdote de um templo espiritualista) o jogo está posto e não há sequer vestígio de chance. Quis apenas ofertar uma pétala de gentileza a quem, além de bela, é também um poço de simpatia.

Dias depois, o grupo no WhatsApp bombou. Mais escrachada do que o Casseta e Planeta, a "Vagabanda" deu pela história e mudou o nome do grupo para “Pena que tu não me amas” – uma brincadeira que eu fiz num post dela no Facebook.

Começou a escarnecer de um certo “brigadeiro”, e eu entrei na conversa por ter reconhecido a frase. Por linhas tortas, Diego me diz que Dorinha perguntara de mim. Roberta me chama de “xarope”, porque tinha dado a ela um doce de seu próprio restaurante.

(E eu pergunto: qual é o problema? Mesmo que eu entrasse no jogo, isso seria até um ponto a favor, porque eu a surpreendi.)

Houve um tempo em minha vida em que, desprovido de autoestima, obedeci a convenções, muitas delas idiotas. Nesse destrutivo processo, aceitei inúmeras opiniões alheias e rejeitei a minha própria verdade. Tais quimeras viraram depois desilusão, pois muitos dos arautos eram não mais do que protótipos malfeitos de sabedoria.

Ainda que eu entrasse no jogo, poderia sim aceitar conselhos. Mas mesclar com eles o que eu tenho a oferecer.


Um comentário:

  1. Oi chuchu, vim desejar sorte no blog, vai ser um sucesso com certeza! Bjs!

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