domingo, 19 de abril de 2015

Adeus, Méier

Pois é, Charlie. A vida é assim. Mas sigamos, porque
ainda tem muita coisa boa pra gente viver
Naquela corredeira de gente, eu te consegui divisar. Era, mesmo, muito melhor do que a foto que havia visto. Conversamos e parecia haver muita afinidade. Ficamos, e foi bom demais.

E aí, alguma trajetória se construiu. Tudo caminhava devagar, e eu temia não ter conseguido te fisgar totalmente. Por um lado achei bom, porque não havia a pressão de um relacionamento cheio de cobranças e carências. 

Fomos ao cinema e enfrentamos a longa escadaria do Botafogo Praia; aproveitei saber que tu nasceste em Madureira, dividida entre o azul e o verde, para te levar a conhecer a vida de Paulo da Portela. E aí, você me apresentou ao João Nogueira, centro cultural onde nos esbaldamos na maestria de Nilze Carvalho.

Ali, achei que nos estreitávamos. Tiramos até fotos. Os anjos do céu chegaram a me dizer que tínhamos boas possibilidades de viver uma linda história. Parecia que um passo havia sido dado.

Foi apenas um sopro. No sábado seguinte, você me liga e dá à história um ponto final. Disse não estar preparada pra um novo relacionamento e que não estávamos em sintonia. E, enfim, "não rolou". Não houve sequer um pedido de desculpas.

E o sonho que eu começava a construir desmoronou de pronto. Por mais que acredite numa relação que floresce aos poucos, eu me envolvi. Não tive como frear as esperanças. Era a primeira vez que vivia um momento tão bacana, e estava muito feliz.

Depois de tudo, meu olhar sobre a história teve de buscar outro prisma. Nossos papos virtuais não fluíam, porque você às vezes levava um céu inteiro para responder às minhas mensagens. Pior: muitas vezes escrevia meu nome errado. No dia de Paulo, reclamaste que eu te "apertava muito"; no do cinema, seu ônibus chegou e você saiu correndo atrás dele, como se quisesse ficar livre de mim. Em outros momentos, ficava de braços cruzados. Também recusaste a me ver numa sexta, porque "estava muito cansada" da viagem que fizeste, e não quiseste ir a um show das 20h porque sairia do serviço às 16h, e isso é "muito tempo pra ficar esperando". Por outro lado, quando fomos ao cinema você esperou. Que estranho!

Não posso obrigar ninguém a corresponder aos meus sentimentos. Se cometi algum deslize, é óbvio que não foi por mal.

Tudo bem! Se não aconteceu, o jeito é respeitar tua vontade e me abrir mais tarde para uma nova história, com uma outra pessoa - que REALMENTE goste de mim. Por outro lado, não tenho a obrigação de sair desta sem mágoa. O final dessa história me causou, sim, profunda decepção, e tenho o direito de sentí-la.

Adeus, Méier; seja feliz e fique com Deus. Mas a tua filha adotiva eu não quero ver mais.

2 comentários:

  1. Felipe eu estava a procurar na internet informacoes sobre Maly Hilda quando aconteceu de ver o seu blog onde tinha Hilda por Camila...
    Mas depois de ler o que estava procurando passei a ler todo o seu blog...
    Voce tem um talento para escrever e contar historias.
    Nao perca isso nunca, amei o seu estilo, continue...

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  2. Obrigado! Palavras assim estimulam a nossa caminhada. Grande abraço!

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